Quando a espaçonave Apolo 11 pousou na Lua, em seu retorno, o presidente americano Richard Nixon disse que aquele era o maior feito da Humanidade, pois o homem punha o pé, pela primeira vez, em seu satélite. E que ninguém poderia contestar aquele feito sob sua administração. Um pastor, presente, interferiu para dizer que de fato aquela era uma ocorrência importante, mas que a maior marca deixada na raça humana acontecera há cerca de dois mil anos atrás, quando o próprio Deus pôs o seu pé na Terra!
Claro que é muito difícil a gente ver todas as coisas sob a melhor perspectiva. Há um ditado que diz: “não apresentes um problema ao teu Deus, mas apresenta o teu Deus ao teu problema”. Alguém pode dizer que é somente um jogo de palavras. Não é. Lembro do padre angolano Quintino que dizia que ter Deus no coração era mais importante do que ter dinheiro, poder, a realização de todos os anseios e instintos. Passava pela realização pessoal e a capacidade de descartar as pedras que podem estar no caminho em função do caminho que se abre em perspectiva.
É um pouco do que deveria ser este tempo de Natal. O excesso de festas, gastos, consumo, alimentos, pode deixar a sensação de frustração, quando nos damos conta de que, passadas, pouco ou nada restou. Já falei a respeito de crianças que esperam presentes através de promoções – como a do Correio – mas que também são realizadas por inúmeras entidades religiosas e civis. De todos os comentários, um ficou martelando: “fazemos isto porque conhecemos a graça e a generosidade de Deus. E queremos fazer com que outras pessoas possam senti-la através de nós”.
Não é muita pretensão, não. É uma verdade. Ouvem-se tantas notícias em função do mal que acontece em nossas vidas – morte no trânsito, uso de drogas, maltratos a crianças e idosos – porque não podemos ser um sinal da esperança de Deus para aqueles que a vida marcou com o sinal da desesperança? Não sei a fórmula, talvez ela até nem exista, mas que é um baita desafio, isto é: no majestoso silêncio que nos aponta para a beleza de um Deus menino encarnando, Ele pede que nossas mãos sejam utilizadas para plantar um sinal de esperança. Feliz Natal!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Um “desestressado” Natal
Não sei se acontece com as demais pessoas, mas para mim a época de final de ano, com o Natal e Ano Novo, é um tempo de stress: corremos atrás de tantas coisas – comida, presentes, ornamentações – que esquecemos coisas tão ou mais importantes, como buscar notícia de pessoas – amigas ou apenas conhecidas, reforçar a carga de carinho para com os mais próximos e contar não até dez, mas até mil, quando pensamos em explodir pelos pequenos erros cometidos na rotina da vida.
Creio que uma boa forma de fazer isto é atendendo ao pedido dos Correios: buscar a carta de uma criança encaminhada ao Papai Noel e que, sem ajuda da população, não poderá ser atendida. Um jornal estadual publicou dez das muitas cartas enviadas e, confesso, fiquei emocionado com a simplicidade dos pedidos: desde um par de chinelos, passando por comida, e chegando a uma piscina plástica para uma criança com câncer, que não pode ser exposta ao sol.
Fiz a proposta aqui em casa para que apadrinhássemos algumas delas. Sei que alguns dirão que não estamos resolvendo o problema, mas, ao menos, fazemos uma parte. Diminuímos o sofrimento de algumas delas e sentimos a alegria de fazer por alguém desconhecido o suficiente para que o “espírito de Natal” se faça presente.
Mas acho que este chamado tem outro forte elemento: tira-nos da volta dos nossos problemas e daquilo que nos atormenta. Faz-nos ver que embora tenhamos a sensação de que os nossos são os maiores, podemos considerá-los insignificantes, diante do que outras pessoas enfrentam. Estamos com dor de cabeça? Há alguém que vai amputar uma perna. Temos pouco dinheiro? Há alguém em desespero por não ter nenhum e nem como colocar comida na mesa. Temos uma angústia por não poder resolver um problema imediato de um filho? Há uma mãe que já perdeu o seu e que tem no coração a marca dolorida da saudade.
Não seria capaz de fazer “hô, hô, hô, hô” nesta data, mas sim olhar nos olhos de uma criança que pediu um presente e dizer: “feliz esperança, Que ela jamais morra no seu coração!” Para nós, com certeza, restará um “desestressado” Natal!
Creio que uma boa forma de fazer isto é atendendo ao pedido dos Correios: buscar a carta de uma criança encaminhada ao Papai Noel e que, sem ajuda da população, não poderá ser atendida. Um jornal estadual publicou dez das muitas cartas enviadas e, confesso, fiquei emocionado com a simplicidade dos pedidos: desde um par de chinelos, passando por comida, e chegando a uma piscina plástica para uma criança com câncer, que não pode ser exposta ao sol.
Fiz a proposta aqui em casa para que apadrinhássemos algumas delas. Sei que alguns dirão que não estamos resolvendo o problema, mas, ao menos, fazemos uma parte. Diminuímos o sofrimento de algumas delas e sentimos a alegria de fazer por alguém desconhecido o suficiente para que o “espírito de Natal” se faça presente.
Mas acho que este chamado tem outro forte elemento: tira-nos da volta dos nossos problemas e daquilo que nos atormenta. Faz-nos ver que embora tenhamos a sensação de que os nossos são os maiores, podemos considerá-los insignificantes, diante do que outras pessoas enfrentam. Estamos com dor de cabeça? Há alguém que vai amputar uma perna. Temos pouco dinheiro? Há alguém em desespero por não ter nenhum e nem como colocar comida na mesa. Temos uma angústia por não poder resolver um problema imediato de um filho? Há uma mãe que já perdeu o seu e que tem no coração a marca dolorida da saudade.
Não seria capaz de fazer “hô, hô, hô, hô” nesta data, mas sim olhar nos olhos de uma criança que pediu um presente e dizer: “feliz esperança, Que ela jamais morra no seu coração!” Para nós, com certeza, restará um “desestressado” Natal!
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Um livro para ouvir
Em diversos lugares – hospitais, escolas, casas geriátricas, centros sociais – aparece uma figura que se intitula de “contador de histórias” (antigamente usávamos “estórias”, para diferenciar ficção de fato). Tentam melhorar a vida daqueles que têm alguma dificuldade física para a leitura e, além de contar uma história, buscam interpretá-la, tornar vivo na imaginação de crianças e adultos o que o autor escreveu.
Minha lembrança de “contador de história” é do tempo de criança, quando minha mãe nos reunia na cama, em dias frios, e, por não existir luz elétrica, substituía a televisão, em narrativas que encantavam nossas noites. Mas adorávamos quando o pai adoecia, não importava em que grau, pois íamos todos para a cama com ele, que tinha que contar histórias novas - diferentes da mãe - com mais elementos de ação, violência e terror.
Foi pensando nisto que acompanhei com atenção um grupo de alunos de uma das disciplinas do curso de Jornalismo da Católica que resolveu transformar em áudio livro os “Causos do Romualdo”, personagem famoso de João Simões Lopes Neto, passados nas plagas do Rio Grande. Com uma bela intenção: oferecer à clientela da Escola Louis Braille, que presta assistência a pessoas com deficiência visual.
Conseguiram valorizar uma obra nossa, com características tipicamente gaúchas, e colocar à disposição daqueles que poderão ouvir um livro. Mas fiquei pensando que, além deles, também vão poder escutar os contos pessoas idosas, com dificuldade de visão; pessoas debilitadas, com dificuldade de concentração; pessoas com baixa escolaridade, que muitas vezes são somente alfabetizados funcionais; e a minha categoria: dos preguiçosos estruturais, que adoram um aparelho de som, com seus fones e uma rede, nas férias, podendo ouvir boas histórias ou bons textos de auto-ajuda, religiosos e mesmo de pesquisa como já existem na área da história, comunicação etc.
Não vou entrar na discussão da substituição do papel por um meio eletrônico. Não vem ao caso. O importante é que se amplie a abrangência do livro. Se ele pode ser acessado por mais gente, que pode usufruir do entretenimento, da formação e da informação, é bem vindo, com o desejo de que amplie mundos e faça mais gente feliz.
Minha lembrança de “contador de história” é do tempo de criança, quando minha mãe nos reunia na cama, em dias frios, e, por não existir luz elétrica, substituía a televisão, em narrativas que encantavam nossas noites. Mas adorávamos quando o pai adoecia, não importava em que grau, pois íamos todos para a cama com ele, que tinha que contar histórias novas - diferentes da mãe - com mais elementos de ação, violência e terror.
Foi pensando nisto que acompanhei com atenção um grupo de alunos de uma das disciplinas do curso de Jornalismo da Católica que resolveu transformar em áudio livro os “Causos do Romualdo”, personagem famoso de João Simões Lopes Neto, passados nas plagas do Rio Grande. Com uma bela intenção: oferecer à clientela da Escola Louis Braille, que presta assistência a pessoas com deficiência visual.
Conseguiram valorizar uma obra nossa, com características tipicamente gaúchas, e colocar à disposição daqueles que poderão ouvir um livro. Mas fiquei pensando que, além deles, também vão poder escutar os contos pessoas idosas, com dificuldade de visão; pessoas debilitadas, com dificuldade de concentração; pessoas com baixa escolaridade, que muitas vezes são somente alfabetizados funcionais; e a minha categoria: dos preguiçosos estruturais, que adoram um aparelho de som, com seus fones e uma rede, nas férias, podendo ouvir boas histórias ou bons textos de auto-ajuda, religiosos e mesmo de pesquisa como já existem na área da história, comunicação etc.
Não vou entrar na discussão da substituição do papel por um meio eletrônico. Não vem ao caso. O importante é que se amplie a abrangência do livro. Se ele pode ser acessado por mais gente, que pode usufruir do entretenimento, da formação e da informação, é bem vindo, com o desejo de que amplie mundos e faça mais gente feliz.
domingo, 29 de novembro de 2009
Uma linguagem para a vida
O presidente eleito, mas não empossado – porque morreu antes – Tancredo Neves contava para os íntimos a seguinte história: um deputado chegou a ele e perguntou: “Presidente, tenho um segredo, que gostaria de contar para o senhor. O senhor sabe guardar segredos, não?” E Tancredo, bonachão, respondeu com toda a tranquilidade: “se o senhor que é dono do seu segredo, não sabe guardá-lo, porque é que eu iria fazê-lo?”
Conto isto para falar de linguagem, que, no dito popular “é uma fonte de mal entendidos”. Explica-se pela técnica de grupos em que se retira alguém da sala e conta-se uma história. Depois, a pessoa que ouviu vai passar adiante, quando a última conta para todos. O interessante é que a história chega completamente diferente do que foi contada originalmente.
A linguagem é fonte de aproximação, sedução, encantamento, mas também pode ferir, magoar, distorcer, atormentar. É a forma como é utilizada. Talvez, nem sempre, intencionalmente, mas quando se pensa em reforçar uma argumentação, usada de forma definitiva - mas equivocada - pode ser um “tiro no próprio pé”.
Embora se diga que “de bem intencionados, o inferno está cheio”, não consigo ver em pessoas que ouvem informações e passam adiante de forma distorcidas apenas má intenção. É um processo. Trabalhamos com pessoas. E gente é uma “coisa” difícil de lidar. Já ouvi muitas vezes: “mas não era isto o que eu queria dizer!”. Mas disse, e acontece como a história daquele padre que ouvindo as duas maiores fofoqueiras de sua paróquia, resolveu dar uma penitência: soltar as penas de um travesseiro do alto da torre da igreja e voltar. Ambas foram, muito felizes. Ao voltar, o complemento da penitência: sair pela cidade recolhendo todas as penas!
Medir as palavras e pensar para quem se vai falar. Esta é uma regra elementar e que, se bem colocada, é capaz de fazer a alegria de todos. A linguagem oral pode ser uma fonte de mal entendidos, mas pode ser complementada pela linguagem do coração, do olhar, do carinho. E aí não há como errar: a gente faz da vida uma linguagem completa do que existe de mais significativo para a Humanidade: a linguagem do amor.
Conto isto para falar de linguagem, que, no dito popular “é uma fonte de mal entendidos”. Explica-se pela técnica de grupos em que se retira alguém da sala e conta-se uma história. Depois, a pessoa que ouviu vai passar adiante, quando a última conta para todos. O interessante é que a história chega completamente diferente do que foi contada originalmente.
A linguagem é fonte de aproximação, sedução, encantamento, mas também pode ferir, magoar, distorcer, atormentar. É a forma como é utilizada. Talvez, nem sempre, intencionalmente, mas quando se pensa em reforçar uma argumentação, usada de forma definitiva - mas equivocada - pode ser um “tiro no próprio pé”.
Embora se diga que “de bem intencionados, o inferno está cheio”, não consigo ver em pessoas que ouvem informações e passam adiante de forma distorcidas apenas má intenção. É um processo. Trabalhamos com pessoas. E gente é uma “coisa” difícil de lidar. Já ouvi muitas vezes: “mas não era isto o que eu queria dizer!”. Mas disse, e acontece como a história daquele padre que ouvindo as duas maiores fofoqueiras de sua paróquia, resolveu dar uma penitência: soltar as penas de um travesseiro do alto da torre da igreja e voltar. Ambas foram, muito felizes. Ao voltar, o complemento da penitência: sair pela cidade recolhendo todas as penas!
Medir as palavras e pensar para quem se vai falar. Esta é uma regra elementar e que, se bem colocada, é capaz de fazer a alegria de todos. A linguagem oral pode ser uma fonte de mal entendidos, mas pode ser complementada pela linguagem do coração, do olhar, do carinho. E aí não há como errar: a gente faz da vida uma linguagem completa do que existe de mais significativo para a Humanidade: a linguagem do amor.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Aposentados, mas não mortos
Os aposentados que recebem mais do que um salário mínimo, até pouco tempo atrás uma massa disforme e sem força, estão mostrando que, embora tenham chegado à terceira idade, não entregam os pontos. Sabem que as centrais de trabalhadores, entre conseguir benefícios para os que estão na ativa e os que já penduraram as chuteiras, ficam com os primeiros. Restou a mobilização, constrangendo as lideranças do governo federal e imagens impactantes que repercutirão nas eleições do próximo ano.
Uma imagem e uma advertência: a foto dos aposentados deitados pelos corredores do Congresso correu Mundo, a mostrar o descaso com os idosos. E de um deles o aviso: “Temos todo o tempo possível e imaginável para fazer campanha ou, se for o caso, trabalhar contra aqueles que querem nos ver na mendicância”.
O certo é que a turma do “deixa disto” já está se mobilizando para que o governo tenha o menor prejuízo possível. O argumento é que, deixando o pessoal se aposentar cedo e permitindo reajuste integral pelo salário mínimo, causará problemas aos cofres públicos. Em sua defesa os aposentados - ou pretendentes - argumentam que não foram eles que causaram os problemas da Previdência que, eleitoreiramente ou não, criou uma série de benefícios sem ter caixa para tanto. Vão mais longe e dizem que trabalharam uma vida com a certeza de um tipo de aposentadoria que lhes é negada agora.
Vou colocar mais fogo na fogueira. Pelo jeito, o governo vai convencer da necessidade de que o homem some 95 anos (trabalho+idade) para se aposentar, o mesmo acontecendo com a mulher, aos 85 anos. Por quê? Eu conheço muitas viúvas e raros viúvos. Há uma campanha no ar dizendo que o homem dura sete anos a menos. Então porque tem que trabalhar e viver mais para se aposentar? O justo não seria o contrário?
O certo é que, parodiando o presidente, “nunca na história deste País” os aposentados estiveram tão unidos em busca de seus direitos. A turma ainda vai desfilar muito pelos corredores dos poderes públicos, mas, agora, é escutada e respeitada. De bobos, não têm mais nada e podem ensinar técnicas de mobilização. Quem diria, estão reconquistando o lugar de onde nunca deveriam ter saído: estão aposentados, mas não estão mortos.
Uma imagem e uma advertência: a foto dos aposentados deitados pelos corredores do Congresso correu Mundo, a mostrar o descaso com os idosos. E de um deles o aviso: “Temos todo o tempo possível e imaginável para fazer campanha ou, se for o caso, trabalhar contra aqueles que querem nos ver na mendicância”.
O certo é que a turma do “deixa disto” já está se mobilizando para que o governo tenha o menor prejuízo possível. O argumento é que, deixando o pessoal se aposentar cedo e permitindo reajuste integral pelo salário mínimo, causará problemas aos cofres públicos. Em sua defesa os aposentados - ou pretendentes - argumentam que não foram eles que causaram os problemas da Previdência que, eleitoreiramente ou não, criou uma série de benefícios sem ter caixa para tanto. Vão mais longe e dizem que trabalharam uma vida com a certeza de um tipo de aposentadoria que lhes é negada agora.
Vou colocar mais fogo na fogueira. Pelo jeito, o governo vai convencer da necessidade de que o homem some 95 anos (trabalho+idade) para se aposentar, o mesmo acontecendo com a mulher, aos 85 anos. Por quê? Eu conheço muitas viúvas e raros viúvos. Há uma campanha no ar dizendo que o homem dura sete anos a menos. Então porque tem que trabalhar e viver mais para se aposentar? O justo não seria o contrário?
O certo é que, parodiando o presidente, “nunca na história deste País” os aposentados estiveram tão unidos em busca de seus direitos. A turma ainda vai desfilar muito pelos corredores dos poderes públicos, mas, agora, é escutada e respeitada. De bobos, não têm mais nada e podem ensinar técnicas de mobilização. Quem diria, estão reconquistando o lugar de onde nunca deveriam ter saído: estão aposentados, mas não estão mortos.
domingo, 15 de novembro de 2009
Um bom e demorado abraço
Uma rede de supermercados da Zona Sul do Estado lançou uma campanha em que o ator sai de uma loja carregando diversos produtos, em sacolas recicláveis, e é abraçado na rua, por diversas pessoas que lhe são estranhas, em reconhecimento por sua ação positiva em favor do meio-ambiente. Claro que o mais emocionado é quando chega em casa, de sua companheira.
Lembrei do jeito prazeroso como os abraços eram recebidos quando vivenciei igual experiência de uma amiga que teve o esposo desempregado; um aluno aprendendo a lidar com o sentimento de perda, especialmente de amigos próximos e na família; e o filho de amigos que luta para ter a afetividade respeitada, inclusive a sua sexualidade.
Estávamos conversando, quando senti que a amiga iria chorar. Abri os braços e foi tomada por convulsões, extravasando sentimentos represados, precisando, de alguma forma, ser compartilhados. Mas ela é forte - embora sejam chamadas de “sexo frágil” - o grande esteio de uma família, onde, além do marido e três filhos, ainda cuida dos pais e cumpre tripla jornada de trabalho: em casa, lecionando e estudando.
O garoto que viu desmoronar uma série de relações em pouco menos de um ano ficou marcado por ter a mesma crença que todos um dia tivemos: de que nossas relações afetivas da juventude seriam eternas. Se o normal é que, passados os anos universitários, tomemos caminhos diferentes, diversos fatores levaram à perda de amigos e problemas familiares. E ainda precisa clarear o que quer de seu futuro, sendo daqueles alunos que a gente diz: “vou vê-lo tomar conta do Mundo!”
Em caso semelhante, está aquele que também vai ser um grande profissional, mas precisa, hoje, ver sua privacidade respeitada, querendo apenas o que é de seu direito: um lugar profissional, ao qual fez por merecer, independente do que sejam suas opções afetivas e sexuais.
Nos três casos, as pessoas têm as suas próprias respostas, mesmo que, neste momento, estejam fragilizadas, precisando de um ombro amigo, um olhar atento e afetivo e, se ainda assim estiver doendo muito, um bom e demorado abraço.
Lembrei do jeito prazeroso como os abraços eram recebidos quando vivenciei igual experiência de uma amiga que teve o esposo desempregado; um aluno aprendendo a lidar com o sentimento de perda, especialmente de amigos próximos e na família; e o filho de amigos que luta para ter a afetividade respeitada, inclusive a sua sexualidade.
Estávamos conversando, quando senti que a amiga iria chorar. Abri os braços e foi tomada por convulsões, extravasando sentimentos represados, precisando, de alguma forma, ser compartilhados. Mas ela é forte - embora sejam chamadas de “sexo frágil” - o grande esteio de uma família, onde, além do marido e três filhos, ainda cuida dos pais e cumpre tripla jornada de trabalho: em casa, lecionando e estudando.
O garoto que viu desmoronar uma série de relações em pouco menos de um ano ficou marcado por ter a mesma crença que todos um dia tivemos: de que nossas relações afetivas da juventude seriam eternas. Se o normal é que, passados os anos universitários, tomemos caminhos diferentes, diversos fatores levaram à perda de amigos e problemas familiares. E ainda precisa clarear o que quer de seu futuro, sendo daqueles alunos que a gente diz: “vou vê-lo tomar conta do Mundo!”
Em caso semelhante, está aquele que também vai ser um grande profissional, mas precisa, hoje, ver sua privacidade respeitada, querendo apenas o que é de seu direito: um lugar profissional, ao qual fez por merecer, independente do que sejam suas opções afetivas e sexuais.
Nos três casos, as pessoas têm as suas próprias respostas, mesmo que, neste momento, estejam fragilizadas, precisando de um ombro amigo, um olhar atento e afetivo e, se ainda assim estiver doendo muito, um bom e demorado abraço.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O perfume da dor e da morte
“Existem cheiros marcantes. Para mim, entre eles, está o da acácia, da dama da noite, do jasmim e o da flor do pessegueiro. E foi lembrando deles que fechei os olhos para não sentir o que estava acontecendo com meu filho naquele momento”. Não sei como aquele pai podia fazer “poesia” no momento em que falava a respeito do acidente de moto vivido por seu filho e no acompanhamento que tinha dado no hospital, descrevendo todo o desespero de lutar por sua vida e encarar um ambiente carregado de dor e sofrimento.
Num tempo de Primavera, em que todos os odores são marcantes e estão presentes nas árvores, arbustos e flores que desabrocham, a analogia não podia ser mais feliz, porque todos os sinais são de vida, enquanto um acidente sempre remete à dor ou à perda de uma existência. Mas há, sim, algo em comum: a capacidade de regeneração. Este é um tempo em que toda a natureza está desabrochando e mostrando a sua capacidade de se renovar, depois de atravessar o inverno. A semelhança, para o pai, é a espera de que seu filho, com cerca de 20 anos, seja capaz de vencer a dor e reconstruir seu caminho.
As estatísticas a respeito de acidentes têm sido, no mínimo, preocupantes, e, pode-se dizer, angustiantes, porque ceifam a vida de nossos jovens, especialmente homens, que se mostram mais predispostos a exagerar na velocidade, ou em dirigir, sob o efeito do álcool. As campanhas mostrando o que aconteceu não têm sido suficiente para prevenir. O que os jovens dizem é que isto aconteceu com outros, não vai acontecer com eles. Julgam-se acima do bem e do mal e deixam os pais e familiares na angústia da espera, especialmente nas noites de final de semana, quando cada minuto é precioso para saber se retorna.
As perdas são sempre muito dolorosas. A dor por algum trauma físico também. E mais ainda quando ficam seqüelas para o resto da vida. Uma ação impensada causa uma marca que fica. E para aquele pai que pensava em odores para manter a sanidade mental, ao lado do filho, num leito de hospital, fica a impressão de que arrancou o filho do próprio fim. E sentiu o perfume da dor e da morte.
Num tempo de Primavera, em que todos os odores são marcantes e estão presentes nas árvores, arbustos e flores que desabrocham, a analogia não podia ser mais feliz, porque todos os sinais são de vida, enquanto um acidente sempre remete à dor ou à perda de uma existência. Mas há, sim, algo em comum: a capacidade de regeneração. Este é um tempo em que toda a natureza está desabrochando e mostrando a sua capacidade de se renovar, depois de atravessar o inverno. A semelhança, para o pai, é a espera de que seu filho, com cerca de 20 anos, seja capaz de vencer a dor e reconstruir seu caminho.
As estatísticas a respeito de acidentes têm sido, no mínimo, preocupantes, e, pode-se dizer, angustiantes, porque ceifam a vida de nossos jovens, especialmente homens, que se mostram mais predispostos a exagerar na velocidade, ou em dirigir, sob o efeito do álcool. As campanhas mostrando o que aconteceu não têm sido suficiente para prevenir. O que os jovens dizem é que isto aconteceu com outros, não vai acontecer com eles. Julgam-se acima do bem e do mal e deixam os pais e familiares na angústia da espera, especialmente nas noites de final de semana, quando cada minuto é precioso para saber se retorna.
As perdas são sempre muito dolorosas. A dor por algum trauma físico também. E mais ainda quando ficam seqüelas para o resto da vida. Uma ação impensada causa uma marca que fica. E para aquele pai que pensava em odores para manter a sanidade mental, ao lado do filho, num leito de hospital, fica a impressão de que arrancou o filho do próprio fim. E sentiu o perfume da dor e da morte.
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